Silenciosamente vago por bosques desérticos, onde árvores da saudade sussurram melancolias à flor da pele.
Passo por secos regatos banhados com lágrimas de fel e mergulho nas areias rubras de suas margens.
Uma ninfa toca a harpa que antes foi motivo de lúdicas canções, doces acordes.
Sacio a fome no vento macio que me acaricia a pele.
Quisera eu ser saciada pelas quimeras que moram num lugar não lembrado pelo tempo.
Matar a sede, me deliciar com o suor que evapora das palavras ardidas que cultivo nos pensamentos mais obscuros.
O bosque desértico pelo qual passeio é o lugar do esquecimento.
Rasuras e reminiscências do intenso querer não querido.
Rebuscada morada de idílios vãos, utopias depreciadas e insignificantes lamúrias.
Casa das dunas nômades que representam e se assemelham às idas e vindas infindas que a sorte nos ensina.
Moro aqui, nas sombras que me rodeiam.
Sorrio para os espectros que me circundam.
Fernanda Passos
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